Selic cai para 14%: veja o que movimentou o mercado financeiro na semana
Veja os principais assuntos que movimentaram o mercado financeiro nesta semana.
Prof. Lucas Silva
Autor do Blog
Veja os principais assuntos que movimentaram o mercado financeiro nesta semana.
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Shark News: Selic, inflação, balanços e os principais acontecimentos do mercado financeiro na semana
Na segunda semana de agosto de 2026, a Selic em 14% ao ano, a desaceleração da inflação e a volatilidade do Ibovespa estão entre os principais assuntos do mercado financeiro.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu novamente a taxa básica de juros, enquanto o IPCA de julho avançou apenas 0,07%.
Ao mesmo tempo, investidores acompanham os resultados das empresas brasileiras, as projeções do Boletim Focus, as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e a alta do petróleo no mercado internacional.
No exterior, outro movimento chama atenção: tecnologia e inteligência artificial continuam sustentando parte relevante do desempenho de Wall Street, enquanto os investidores também monitoram os próximos passos do Federal Reserve.
Neste Shark News, reunimos os principais acontecimentos da semana e explicamos como eles se conectam.
Antes de analisar cada acontecimento, confira alguns dos principais números que estão no radar:
| Indicador | Dado | O que observar |
|---|---|---|
| Selic | 14% ao ano | Continuidade do ciclo de cortes |
| IPCA de julho | 0,07% | Desaceleração da inflação mensal |
| IPCA em 12 meses | 4,44% | Trajetória da inflação |
| IPCA acumulado em 2026 | 3,44% | Comportamento dos preços no ano |
| Focus – IPCA 2026 | 5,02% | Expectativas do mercado para inflação |
| Focus – PIB 2026 | 1,98% | Ritmo esperado da atividade econômica |
| Focus – dólar | R$ 5,20 | Expectativa para o câmbio |
| Focus – Selic no fim de 2026 | 13,75% | Expectativa para os juros |
| Petróleo Brent | próximo de US$ 89 | Geopolítica e risco de oferta |
| Petróleo WTI | próximo de US$ 83 | Pressões no mercado de energia |
Os números ajudam a visualizar um cenário no qual a inflação apresenta sinais de desaceleração, mas os juros brasileiros continuam elevados.
Ao mesmo tempo, fatores externos podem alterar rapidamente as expectativas para câmbio, commodities e ativos de risco.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na reunião de 4 e 5 de agosto, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano.
Foi o quarto corte consecutivo do ciclo. A decisão já era amplamente esperada pelo mercado e coloca os juros básicos no menor patamar desde março de 2025.
Na ata divulgada em 11 de agosto, o Banco Central avaliou que a inflação no país segue pressionada não apenas por fatores externos, mas também pelo consumo interno aquecido.
Isso exige manutenção de juros em patamar suficientemente restritivo para frear a economia.
Não foi sinalizado antecipadamente o tamanho do próximo movimento. O Banco Central repetiu que vai avaliar os dados disponíveis até a próxima reunião, marcada para 15 e 16 de setembro, para decidir se haverá novo corte e qual poderá ser sua magnitude.
Mesmo após quatro cortes consecutivos, uma Selic de 14% ao ano representa um ambiente de juros bastante restritivo.
Isso acontece porque a taxa básica funciona como referência para grande parte do mercado financeiro. Ela influencia:
Quando a Selic permanece elevada, aplicações pós-fixadas tendem a continuar oferecendo retornos nominais relevantes.
Ao mesmo tempo, empresas e consumidores enfrentam custos maiores para tomar crédito.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou apenas 0,07% em julho, ante 0,16% em junho.
No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,44%, enquanto no ano soma 3,44%.
A desaceleração reforça a discussão sobre a margem para novos cortes da taxa Selic pelo Banco Central, especialmente se os próximos indicadores confirmarem uma trajetória mais favorável para os preços.
Outro indicador importante para compreender as expectativas do mercado é o Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central.
No relatório desta semana tivemos:
O quadro sugere inflação sob controle relativo, mas com juros ainda em patamar restritivo.
O Focus reúne projeções de instituições e profissionais do mercado para alguns dos principais indicadores da economia.
Mais importante do que olhar apenas para um número isolado é observar como essas expectativas mudam ao longo do tempo.
Se as projeções de inflação começam a cair durante várias semanas, por exemplo, isso pode indicar uma melhora na percepção dos agentes econômicos.
O mesmo vale para Selic, PIB e câmbio.
Essas expectativas entram nos modelos utilizados para precificar títulos públicos, ações, moedas e outros ativos.
Por isso, alterações aparentemente pequenas nas projeções podem produzir movimentos importantes no mercado.
Enquanto o cenário macroeconômico influencia todo o mercado, os resultados das empresas mostram o que está acontecendo dentro de cada setor.
A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 consolidou-se como um dos principais catalisadores do Ibovespa, com um volume relevante de empresas divulgando números e permitindo uma leitura setorial mais clara sobre quem surpreendeu positivamente e quem ficou abaixo das expectativas.
Do lado dos grandes bancos, os balanços de Itaú e Bradesco ajudaram a balizar as projeções para o setor, enquanto o mercado voltou suas atenções para os números do Banco do Brasil.
No agregado, a safra de balanços trouxe desempenhos bastante heterogêneos.
Empresas ligadas a commodities, especialmente petróleo e gás, ganharam destaque.
No setor siderúrgico, a Gerdau reportou EBITDA de R$ 3,43 bilhões, acima do consenso, embora suas ações tenham recuado em um movimento de realização de lucros.
Por outro lado, o varejo foi um dos pontos de tensão da temporada.
O Ibovespa registrou queda acentuada no pregão de 11 de agosto, chegando a recuar mais de 2%, em meio à deterioração do cenário externo e à reação dos investidores a fatores domésticos.
A movimentação reacende o debate sobre volatilidade na Bolsa brasileira e o impacto das expectativas de trajetória de juros na precificação de ativos.
Mesmo diante de dados positivos em determinadas frentes, mudanças na percepção sobre juros, crescimento, risco doméstico ou cenário internacional podem provocar ajustes relevantes nos preços.
Porque nenhum indicador determina sozinho a direção da Bolsa.
Em teoria, juros menores podem favorecer a renda variável por reduzir a atratividade relativa da renda fixa e diminuir o custo de capital das empresas.
Mas existem diversas outras variáveis.
Uma deterioração do cenário fiscal, aumento da percepção de risco, saída de investidores estrangeiros, queda de commodities ou piora das perspectivas de lucro das empresas pode pressionar a Bolsa mesmo durante um ciclo de redução da Selic.
Esse é um ponto essencial para quem acompanha o mercado:
Relações econômicas raramente funcionam de maneira isolada ou automática.
Os Estados Unidos aceitaram o pedido do Brasil para iniciar consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre tarifas de 25% e 12,5% aplicadas a determinados produtos brasileiros.
A disputa comercial permanece sob monitoramento, com potencial de impactar empresas exportadoras, a cotação do dólar e a percepção de risco país, em um momento de maior sensibilidade aos fluxos externos.
Imagine uma empresa brasileira que exporta uma parcela relevante de sua produção para os Estados Unidos.
Se uma tarifa aumenta o preço desse produto para o comprador americano, a companhia pode perder competitividade naquele mercado.
Isso pode afetar:
Se várias empresas ou setores forem atingidos, o efeito pode chegar à balança comercial brasileira.
O câmbio também entra nessa equação.
Mudanças nas expectativas para exportações, entrada de dólares e risco do país podem alterar a percepção dos investidores sobre a moeda brasileira.
Por isso, uma disputa comercial aparentemente distante da carteira de um pequeno investidor pode acabar afetando ações, dólar, juros e expectativas econômicas.
Nesta quarta-feira, o petróleo avançou, com o barril do tipo WTI operando ao redor de US$ 83 e o Brent próximo de US$ 89.
Tensões geopolíticas e negociações envolvendo o Irã seguem influenciando as cotações.
O movimento é relevante para o Brasil devido aos possíveis impactos sobre empresas do setor, inflação interna e câmbio.
Petróleo não é apenas uma commodity negociada internacionalmente.
Ele faz parte de uma cadeia que influencia:
Se o petróleo permanece caro durante um período prolongado, aumentam as preocupações com pressões inflacionárias em diferentes países.
No Brasil, existe ainda outra particularidade: a Petrobras possui peso relevante no mercado acionário brasileiro.
Dessa forma, oscilações expressivas da commodity podem influenciar tanto expectativas macroeconômicas quanto diretamente o comportamento do Ibovespa.
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, usada como referência para outras taxas de juros no país. Ela é importante porque influencia o custo do crédito e o retorno de investimentos.
A inflação reduz o poder de compra e pode levar a ajustes nas taxas de juros. Juros mais altos podem desestimular o consumo e o investimento, afetando o crescimento econômico e o mercado financeiro.
As expectativas do Focus influenciam a percepção de risco e as decisões de investimento, pois refletem as projeções de mercado para indicadores econômicos como inflação, PIB e câmbio.
Tensões comerciais podem impactar as exportações brasileiras, o câmbio e a percepção de risco, afetando o mercado financeiro e a economia como um todo.
O petróleo afeta os custos de produção e transporte, influenciando a inflação e o desempenho de empresas ligadas ao setor. Além disso, oscilações no preço do petróleo impactam diretamente a Petrobras, uma das principais empresas do país.
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