Mercado de capitais movimenta R$ 48 bilhões em agosto de 2026
Ofertas recuam na comparação anual, mas emissões acumuladas em 2026 crescem 7,1%, enquanto FIDCs ganham espaço entre os instrumentos de captação.
Prof. Lucas Silva
Autor do Blog
Ofertas recuam na comparação anual, mas emissões acumuladas em 2026 crescem 7,1%, enquanto FIDCs ganham espaço entre os instrumentos de captação.
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O mercado de capitais brasileiro movimentou R$ 48,8 bilhões em ofertas encerradas em agosto de 2026, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA).
Este número representa uma queda de 16% em relação aos R$ 58 bilhões registrados em agosto de 2025. Contudo, olhar apenas para essa comparação mensal pode ocultar aspectos importantes do cenário.
No acumulado de janeiro a agosto, as emissões domésticas chegaram a aproximadamente R$ 485 bilhões, um crescimento de 7,1% em relação ao mesmo período de 2025.
Os dados de agosto mostram uma mudança na composição das captações. As debêntures continuam como principal instrumento, mas os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) apresentaram forte crescimento, superando R$ 74 bilhões em emissões no ano.
A pesquisa divulgada pela ANBIMA ajuda a entender não apenas quanto dinheiro está sendo captado pelas empresas, mas também quais instrumentos estão ganhando espaço no financiamento da economia brasileira.
O volume de R$ 48,8 bilhões registrado em agosto ficou abaixo dos R$ 58 bilhões de agosto de 2025. No entanto, o acumulado de 2026 permanece superior ao observado no mesmo período do ano passado.
| Indicador | Agosto de 2026 | Comparação |
|---|---|---|
| Ofertas no mês | R$ 48,8 bilhões | -16% vs. ago/25 |
| Ofertas acumuladas no ano | ~R$ 485 bilhões | +7,1% vs. jan-ago/25 |
| Debêntures em agosto | R$ 21,5 bilhões | Principal instrumento |
| FIDCs em agosto | ~R$ 14,5 bilhões | +146,3% vs. ago/25 |
| FIDCs acumulados em 2026 | >R$ 74 bilhões | Forte expansão |
Todavia, o desempenho mensal e o desempenho acumulado possuem uma diferença importante. Agosto apresentou retração na comparação anual, mas o mercado de capitais, considerando os oito primeiros meses de 2026, continua movimentando um volume maior do que no mesmo intervalo de 2025.
As debêntures foram responsáveis por R$ 21,5 bilhões das emissões de agosto. O volume correspondeu a 44,1% de todas as captações realizadas no mês, mantendo o instrumento na liderança.
Apesar disso, houve uma redução de 5,2% em relação aos R$ 33,2 bilhões registrados em julho.
Considerando os R$ 48,8 bilhões captados no mês:
R$ 21,5 bilhões ÷ R$ 48,8 bilhões = aproximadamente 44,1%
Ou seja, quase R$ 1 de cada R$ 2 captados no mercado de capitais em agosto veio de debêntures.
Debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos junto aos investidores.
Uma companhia pode emitir uma debênture para levantar dinheiro no mercado e utilizar os recursos para diferentes finalidades, como financiar investimentos, projetos de infraestrutura ou reorganizar dívidas.
Para o investidor, a lógica é diferente da compra de uma ação: ao adquirir uma debênture, ele está financiando o emissor em troca de uma remuneração definida pelas condições da emissão.
Por exemplo, se uma empresa precisa de R$ 500 milhões para financiar um projeto de expansão. Em vez de buscar todo o recurso em um empréstimo bancário, pode estruturar uma emissão de debêntures e captar esse dinheiro junto a investidores.
Conectar empresas que precisam de recursos a investidores que buscam alternativas de investimento é uma das principais funções do mercado de capitais.
Se as debêntures continuam liderando, os FIDCs foram o grande destaque de agosto. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios movimentaram aproximadamente R$ 14,5 bilhões em emissões no mês.
O resultado foi:
No acumulado do ano, as emissões de FIDCs já ultrapassaram R$ 74 bilhões.
| Instrumento | Emissões em agosto/2026 | Participação aproximada |
|---|---|---|
| Debêntures | R$ 21,5 bilhões | 44,1% |
| FIDCs | R$ 14,5 bilhões | 29,7% |
| FIIs | R$ 5,1 bilhões | 10,5% |
| CRIs | R$ 2,4 bilhões | 4,9% |
| CRAs | R$ 2,2 bilhões | 4,5% |
| Fiagros | R$ 1,4 bilhão | 2,9% |
A diferença entre debêntures e FIDCs, portanto, ficou menor em agosto do que poderia sugerir uma análise superficial do ranking. Enquanto as debêntures responderam por 44,1% das ofertas, os FIDCs representaram aproximadamente 29,7%.
O crescimento dos FIDCs está relacionado à utilização de direitos creditórios e recebíveis como base para estruturas de financiamento.
Quando uma empresa vende produtos a prazo, por exemplo, ela tem R$ 10 milhões para receber dos seus clientes nos próximos meses. Mas precisa de dinheiro agora para continuar operando.
Uma estrutura de FIDC pode utilizar esses direitos creditórios dentro de uma operação financeira, permitindo transformar recebíveis futuros em uma fonte de recursos no presente.
A ANBIMA destaca que, em um cenário de maior seletividade no crédito, estruturas lastreadas em recebíveis permitem adequar prazos, garantias e fluxos de pagamento às necessidades das empresas.
Imagine uma empresa que possui:
R$ 20 milhões em recebíveis
com vencimento distribuído pelos próximos 12 meses. Em vez de esperar todo esse período para receber, a empresa pode participar de uma estrutura que utiliza esses recebíveis como base para uma operação de crédito.
O investidor, por sua vez, passa a ter exposição aos fluxos financeiros provenientes desses direitos creditórios, de acordo com a estrutura e os riscos definidos na operação.
Os FIDCs são relevantes não apenas para grandes companhias, mas também para empresas que possuem uma carteira significativa de recebíveis.
O crescimento dos instrumentos ligados a recebíveis não ficou restrito aos FIDCs. Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) movimentaram aproximadamente R$ 2,4 bilhões em agosto, alta de 32,5% em relação a julho.
Já os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) chegaram a aproximadamente R$ 2,2 bilhões, quase três vezes os R$ 776,8 milhões registrados em julho.
| Instrumento | Agosto/2026 | Julho/2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| CRI | ~R$ 2,4 bi | ~R$ 1,8 bi | +32,5% |
| CRA | ~R$ 2,2 bi | R$ 776,8 mi | ~3x |
Destaque para o movimento que os números acima estão reforçando: instrumentos relacionados à recebíveis estão ganhando espaço dentro do mercado de capitais.
Nem todos os instrumentos apresentaram crescimento em agosto.
Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) captaram aproximadamente R$ 5,1 bilhões, contra R$ 11,7 bilhões em julho, com uma queda de aproximadamente 56% em apenas um mês.
Julho havia registrado o maior volume mensal de emissões de FIIs em 2026 até aquele momento. Portanto, a comparação precisa considerar a base elevada do mês anterior.
Fiagros, fundos relacionados às cadeias agroindustriais no mês de agosto, movimentou aproximadamente R$ 1,4 bilhão. O volume foi 26 vezes superior aos R$ 54 milhões registrados em agosto de 2025.
Esse crescimento escancara como o mercado de capitais também vem criando diferentes estruturas para canalizar recursos para setores específicos da economia. No caso dos Fiagros, a estrutura está relacionada às cadeias do agronegócio.
Uma forma interessante de interpretar os dados é observar que o mercado não está simplesmente crescendo ou diminuindo de maneira uniforme. Diferentes instrumentos apresentam comportamentos distintos.
Em 2025, por exemplo, a ANBIMA já destacava o avanço dos FIDCs. Até agosto daquele ano, eles haviam movimentado R$ 52,4 bilhões, crescimento de 10,2% sobre o mesmo período de 2024.
Naquele momento, a entidade também destacava que o volume médio por operação dos FIDCs era de aproximadamente R$ 78 milhões, o menor entre os instrumentos analisados, indicando utilização também por empresas de pequeno e médio porte.
Em 2026, o ritmo de crescimento foi ainda maior. Até agosto, os FIDCs já superaram R$ 74 bilhões em emissões.
| Período | Volume de FIDCs |
|---|---|
| Jan-ago/2025 | R$ 52,4 bilhões |
| Jan-ago/2026 | Mais de R$ 74 bilhões |
| Agosto/2025 | R$ 5,9 bilhões |
| Agosto/2026 | R$ 14,5 bilhões |
O dado de 2025 corresponde ao acumulado de janeiro a agosto divulgado pela entidade; o dado de 2026 é o volume acumulado informado no boletim de agosto.
O comparativo acima destaca que o crescimento dos FIDCs não começou em agosto. Tal crescimento anda ganhando relevância no mercado de capitais e acelerando há meses.
Quando se fala em mercado de capitais, comumente pensamos imediatamente em ações e na Bolsa. Mas os dados de agosto mostram uma realidade muito mais ampla. Grande parte das captações ocorre por meio de instrumentos de renda fixa e estruturas de crédito, como:
Acompanhar o mercado de capitais exige compreender diferentes produtos e estruturas. Uma empresa pode acessar o mercado.
Uma empresa pode acessar o mercado para financiar um projeto por meio de uma debênture. Outra pode estruturar uma operação baseada em recebíveis. Uma companhia do setor imobiliário pode acessar uma estrutura relacionada a CRIs. No agronegócio, os CRAs e Fiagros têm papel relevante.
O instrumento escolhido depende das características da operação, dos ativos envolvidos, do perfil do emissor e das condições de mercado.
Os números da ANBIMA mostram que o mercado de capitais está se tornando cada vez mais diversificado. Para quem trabalha no setor financeiro, isso significa que conhecer apenas os produtos mais tradicionais pode não ser suficiente para compreender toda a dinâmica de financiamento e investimento.
Um profissional que atua em crédito, por exemplo, pode precisar compreender estruturas de recebíveis e FIDCs.
Quem trabalha com investimentos precisa conhecer as características e os riscos dos diferentes instrumentos disponíveis aos investidores.
Profissionais de estruturação, distribuição e análise também precisam entender como uma operação é construída, quem são os participantes e quais riscos estão envolvidos.
Quando um determinado instrumento cresce, ele pode criar demanda por profissionais que saibam analisar e estruturar essas operações.
O resultado de agosto pode ser resumido por três números:
R$ 48,8 bilhões em ofertas no mês. Uma queda de 16% na comparação com agosto de 2025
R$ 485 bilhões aproximadamente no acumulado de 2026 até agosto. 7,1% acima do registrado no mesmo período de 2025.
Mais de R$ 74 bilhões em emissões de FIDCs no ano. Provando a força que os FIDCs vêm conquistando dentro desse mercado.
Por isso, a principal leitura dos dados não está apenas na alta ou na queda do volume total. Está na transformação da composição das captações.
As debêntures continuam ocupando o primeiro lugar, mas os instrumentos ligados a recebíveis ganharam espaço. FIDCs, CRIs e CRAs apresentam movimentos importantes, enquanto produtos como FIIs mostram que os volumes podem variar significativamente de um mês para outro.
Para o profissional do mercado financeiro, acompanhar essas mudanças é fundamental. A dinâmica do mercado de capitais cria novas estruturas, novos produtos e novas necessidades. E quanto maior a diversidade de instrumentos, maior a importância de compreender como cada produto funciona, quais são seus riscos e qual papel desempenha no financiamento da economia.
FIDCs, ou Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, são fundos que investem em direitos creditórios, como duplicatas, cheques e contratos de financiamento. Eles permitem que empresas captem recursos antecipando recebíveis futuros.
CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) são lastreados em recebíveis do setor imobiliário, enquanto CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) são lastreados em recebíveis do agronegócio. Ambos são instrumentos de securitização de recebíveis.
Debêntures são populares porque oferecem uma forma de captação de recursos para empresas sem diluir o controle acionário. Elas são atrativas para investidores que buscam rendimentos fixos e previsíveis.
O mercado de capitais impacta a economia ao fornecer uma plataforma para empresas captarem recursos para expansão e investimentos, promovendo crescimento econômico e inovação.
Os riscos dos FIDCs incluem inadimplência dos devedores dos direitos creditórios, riscos de mercado e riscos de crédito associados à qualidade dos ativos subjacentes.

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