5 erros que podem atrapalhar sua preparação para certificações financeiras

5 erros que podem atrapalhar sua preparação para certificações financeiras

Descubra 5 erros de estudo que podem prejudicar sua preparação para uma certificação financeira e veja o que a ciência da aprendizagem recomenda.

·13 minutos de leitura
Prof. Lucas Silva

Prof. Lucas Silva

Autor do Blog

5 erros que podem atrapalhar sua preparação para certificações financeiras

Estudar para uma certificação financeira exige mais do que acumular horas de estudo.

Muitas vezes passamos semanas diante de apostilas, aulas e questões e, ainda assim, chegamos ao dia da prova menos preparado do que esperávamos.

Isso acontece porque a sensação de estar estudando não é necessariamente a mesma coisa que estar aprendendo.

Alguns hábitos são confortáveis, fáceis de repetir e dão uma sensação imediata de progresso. Mas nem sempre são os que mais ajudam a construir uma memória duradoura ou a nos preparar para recuperar o conhecimento quando estivermos diante de uma questão.

Uma ampla revisão publicada na Psychological Science in the Public Interest analisou diferentes técnicas de aprendizagem e classificou testes práticos e prática distribuída como estratégias de alta utilidade, enquanto a simples releitura foi considerada uma técnica de baixa utilidade.

Ou seja, estudar para uma certificação não deveria ser apenas ler, grifar e revisar.

É preciso se testar, enfrentar os pontos de dificuldade, espaçar os estudos e aprender com os próprios erros.

A seguir, veja cinco erros que parecem pequenos, mas podem comprometer sua preparação.

1. Estudar apenas os assuntos em que você tem facilidade

Vamos começar com uma armadilha que parece inofensiva: estudar mais aquilo que você já sabe.

Você provavelmente já fez isso.

Abre o material, encontra um assunto que domina, começa a revisar e percebe que tudo parece familiar. As questões são resolvidas com facilidade, os acertos aparecem e surge aquela sensação de prazer liberada pela dopamina.

Porém, isso carrega um problema enorme.

Você pode estar ficando cada vez melhor justamente naquilo que já dominava, enquanto os assuntos que realmente poderiam determinar seu resultado continuam sendo deixados de lado.

Por que fazemos isso?

Existe uma tendência de buscar aquilo que podemos chamar de zona de conforto cognitivo.

O cérebro acha muito mais agradável revisar um conteúdo conhecido do que enfrentar um assunto que exige concentração, gera dúvidas e mostra aquilo que ainda não dominamos.

Quando você revisa um tema conhecido, a experiência é fluida. Quando começa um conteúdo difícil, acontece o contrário: você precisa pensar mais, erra questões, volta para a teoria e percebe que ainda tem bastante coisa para aprender.

Naturalmente, o primeiro caminho parece mais recompensador, com isso a ilusão de competência aparece.

A sensação de domínio pode enganar

Reconhecer uma informação não é a mesma coisa que conseguir recuperá-la sozinho.

Em um estudo clássico sobre aprendizagem, Henry Roediger e Jeffrey Karpicke compararam repetição de estudo com testes de recuperação. Nos testes realizados imediatamente, estudar novamente podia parecer vantajoso. Porém, quando a memória foi avaliada depois de dois dias ou uma semana, a prática de recuperação produziu retenção significativamente maior.

A pesquisa constatou que o estudo repetido realizado aumentava a confiança dos participantes na própria capacidade de lembrar, mesmo quando os testes posteriores mostraram vantagem para quem havia praticado a recuperação.

Traduzindo para a preparação de uma certificação:

Sentir que você conhece um conteúdo não significa necessariamente que conseguirá recuperá-lo quando a questão aparecer na prova.

Portanto, simplesmente reler um assunto várias vezes pode ser enganoso.

O conteúdo fica familiar. Mas familiaridade não é domínio.

O verdadeiro crescimento acontece onde existe dificuldade

Na preparação para uma certificação, o objetivo não deve ser buscar constantemente a sensação de que está acertando.

Descobrir onde você ainda erra pode decidir ou não sua aprovação.

Para descobrir, precisamos sair conscientemente da zona de conforto cognitivo e trabalhar justamente os assuntos que exigem mais esforço.

Em vez de pensar:

"Vou revisar mais uma vez aquilo que já sei."

Experimente perguntar:

"Qual assunto eu estou evitando porque tenho dificuldade?"

Essa pergunta pode ser muito mais útil para a sua preparação.

Como evitar esse erro?

Use questões e simulados para descobrir onde estão suas dificuldades.

Depois, distribua seu estudo de acordo com o desempenho.

Desempenho Estratégia
Alto Revisar periodicamente
Médio Aumentar a quantidade de questões
Baixo Retomar a teoria e praticar mais

O objetivo não é abandonar aquilo que você já sabe.

É evitar que a maior parte do seu tempo seja consumida justamente pelos assuntos em que você já se sente confortável.

Estudar bem não é buscar constantemente a sensação de que está acertando. Mas buscar as situações que mostram o que você ainda precisa aprender.

2. Fazer muitas questões sem entender os próprios erros

Resolver questões é fundamental para a preparação.

Mas existe uma diferença enorme entre fazer questões e aprender com as questões.

Imagine que você faça 50 questões e erre 15.

Se simplesmente conferir o gabarito e seguir para as próximas, você pode estar desperdiçando uma das melhores oportunidades de estudo que tinha.

A parte mais importante é entender o porquê do erro.

Um erro pode acontecer por diferentes motivos:

  • você não conhecia o conceito;
  • confundiu dois conceitos parecidos;
  • interpretou o enunciado de forma equivocada;
  • esqueceu uma regra ou fórmula;
  • fez uma conta errada;
  • respondeu rápido demais;
  • escolheu uma alternativa que parecia correta.

Cada tipo de erro exige uma correção diferente.

Se você não sabia o conteúdo, precisa revisar a teoria.

Se confundiu conceitos, precisa comparar os dois.

Se foi falta de atenção, precisa trabalhar a leitura e a resolução das questões.

Questões não servem apenas para medir conhecimento

A ciência da aprendizagem chama atenção para um fenômeno conhecido como testing effect, ou efeito de teste.

A ciência da aprendizagem fala sobre um fenômeno conhecido como testing effect, ou efeito de teste. Onde testar a própria memória não serve apenas para descobrir o que você sabe. O próprio ato de recuperar uma informação pode ajudar a fortalecê-la.

Na pesquisa de Roediger e Karpicke, realizar testes de recuperação produziu melhor retenção posterior do que simplesmente estudar novamente o mesmo material, especialmente quando a memória foi avaliada depois de um intervalo.

Uma revisão publicada em 2013 analisou centenas de experimentos sobre técnicas de aprendizagem e classificou a prática de testes como uma das estratégias de maior utilidade.

Enfatizando que fazer questões deveria ser apenas uma parte do processo.

O ciclo completo é:

resolver → conferir → identificar o erro → entender o motivo → revisar → tentar novamente.

Seu erro pode virar seu melhor material de revisão

Uma estratégia simples é manter um registro dos erros mais relevantes.

Não precisa copiar todas as questões. Registre aquilo que você realmente precisa lembrar.

Por exemplo:

Erro: confundi determinado conceito com outro.
Correção: diferença principal entre os dois conceitos.
Atenção: observar determinada característica quando o assunto aparecer novamente.

Com o tempo, esse material se transforma em um mapa dos pontos que mais exigem atenção.

3. Deixar os simulados para a última semana

Muita gente encara o simulado como uma espécie de "prova final" da preparação.

A pessoa estuda todo o conteúdo, chega perto da data do exame e pensa:

"Agora vou fazer um simulado para ver se estou preparado."

Só que, nesse momento, pode ser tarde para descobrir que determinados assuntos ainda apresentam um desempenho ruim.

O simulado deve fazer parte da preparação antes da reta final.

Ele ajuda a identificar:

  • quais assuntos precisam de revisão;
  • quanto tempo você leva para resolver uma prova;
  • quais tipos de questão geram mais dificuldade;
  • onde você perde concentração;
  • quais erros se repetem;
  • como seu desempenho evolui ao longo das semanas.

Por isso, o resultado de um simulado não deve ser analisado apenas pela pergunta:

“Quantas questões eu acertei?”

Pergunte também:

  • Onde eu estou errando?
  • Por que estou errando?
  • O que preciso estudar antes do próximo simulado?

A preparação precisa de intervalo, não apenas de intensidade

A prática distribuída refere-se a um princípio importante da ciência da aprendizagem.

Em vez de concentrar todo o estudo em um curto período, distribuir as sessões ao longo do tempo tende a favorecer a retenção.

Uma meta-análise de Cepeda e colaboradores reuniu 839 avaliações em 317 experimentos publicados em 184 artigos e encontrou evidências consistentes do benefício da prática distribuída em comparação com sessões concentradas.

Mais recentemente, uma meta-análise de estudos realizados em contextos educacionais reais também encontrou vantagem da prática distribuída sobre a prática concentrada, com efeito médio de d = 0,54. A análise reuniu 31 tamanhos de efeito provenientes de 22 estudos, com mais de 3 mil participantes.

Ambos, ajudam a explicar por que fazer um único simulado gigantesco na véspera não substitui uma preparação acompanhada ao longo do tempo.

Um simulado feito na véspera mostra como você está na véspera. Simulados realizados ao longo da preparação ajudam a descobrir o que precisa mudar antes do dia da prova.

Simulado é diagnóstico

Uma boa preparação pode seguir um ciclo:

Estudar → resolver questões → analisar erros → revisar → fazer novo simulado → identificar novas dificuldades.

Dessa forma, cada simulado serve para orientar o próximo passo.

O objetivo não é simplesmente fazer dezenas de provas.

É fazer com que cada uma delas torne sua preparação mais eficiente.

4. Tentar aprender conteúdo novo até a véspera da prova

Quando a prova está chegando, podemos sentir aquela sensação esmagadora de que ainda falta estudar muita coisa. E começamos a tentar aproveitar cada minuto para aprender um conteúdo novo.

Pode até parecer uma demonstração de disciplina.

Mas na realidade, estamos concentrando grandes volumes de estudo em pouco tempo, o que não ajuda a construir uma memória duradoura.

A pesquisa sobre prática distribuída mostra justamente que espaçar as sessões de aprendizagem tende a favorecer a retenção em comparação com concentrá-las.

Por isso, quanto mais perto da prova, mais importante se torna organizar o estudo para consolidar o que já foi aprendido.

A importância do o sono

Colocamos na cabeça nos últimos anos que passar a noite estudando significa produtividade. Afinal, são mais horas de estudo no relógio.

A Psychological Bulletin realizou uma meta-análise para comprovar o contrário. Para isso, avaliou estudos sobre privação total de sono e memória. A análise encontrou efeitos negativos da privação de sono tanto quando ela acontecia antes quanto depois da aprendizagem.

No conjunto analisado, a privação antes da aprendizagem apresentou efeito médio de g = 0,621, enquanto a privação depois da aprendizagem apresentou g = 0,277.

Os próprios autores, porém, destacam limitações da literatura, incluindo baixa potência estatística em muitos estudos e indícios de viés de publicação.

Ou seja: transformar a noite anterior à prova em uma maratona de estudo não é uma estratégia que merece ser tratada como heroica.

Mais horas diante do material não significam automaticamente mais conhecimento disponível na hora da prova.

Como organizar a reta final?

Durante a preparação

Priorize:

  • aprendizado da teoria;
  • compreensão dos conceitos;
  • resolução de questões;
  • identificação dos pontos fracos.

Na reta final

Priorize:

  • revisão;
  • questões;
  • simulados;
  • análise dos erros;
  • conteúdos com menor desempenho.

Isso não significa que você nunca possa estudar um conteúdo novo nos últimos dias.

Significa que não é interessante deixar todo o aprendizado para o final.

A última semana não precisa ser uma corrida desesperada para terminar o material. Ela precisa ser uma etapa de consolidação e preparação para a prova.

5. Ler a questão no automático e responder antes de entender o que está sendo perguntado

Você estudou o conteúdo e conhece o conceito. Chega à questão e encontra quatro alternativas.

Mas responde errado.

Por quê?

Porque não percebeu que o enunciado perguntava pela alternativa incorreta.

Esse tipo de erro parece pequeno, mas pode custar uma questão que você tinha conhecimento para acertar.

Há uma diferença importante entre saber o conteúdo e saber resolver a questão.

Em uma prova, você não recebe uma lista de conceitos para repetir. Precisa identificar o problema apresentado, recuperar o conhecimento relevante, interpretar o enunciado e decidir qual alternativa responde exatamente ao que foi solicitado.

A importância desses testes se comprova ao aproximar o estudo daquilo que será exigido no momento da avaliação.

Cuidado com as palavras que mudam a questão

Em uma prova de certificação, algumas palavras merecem atenção especial:

  • correta;
  • incorreta;
  • exceto;
  • sempre;
  • nunca;
  • principalmente;
  • mais adequada;
  • não é.

Também é importante observar quando duas alternativas parecem muito semelhantes.

Nesses casos, não basta reconhecer o assunto.

Precisamos entender exatamente o que a questão está pedindo e qual característica diferencia as alternativas.

Uma técnica simples

Antes de olhar para as alternativas, tente identificar:

1. Qual é o assunto da questão?

2. O que exatamente o enunciado está perguntando?

3. Existe alguma palavra que muda o sentido da pergunta?

4. O que diferencia uma alternativa da outra?

Esse pequeno cuidado pode evitar erros causados não pela falta de conhecimento, mas pela interpretação.

O que a ciência da aprendizagem ensina sobre estudar para uma prova?

Se existe uma grande conclusão por trás de todos esses erros, com certeza é: estudar mais não é necessariamente estudar melhor.

A revisão de Dunlosky e colaboradores analisou técnicas de aprendizagem utilizadas por estudantes e encontrou diferenças importantes na eficácia dessas estratégias.

Entre as técnicas avaliadas, prática de testes e prática distribuída receberam classificação de alta utilidade, enquanto a releitura recebeu classificação de baixa utilidade.

O que muda a lógica da preparação.

Em vez de passar horas apenas relendo materiais, uma estratégia mais eficiente pode envolver:

Aprender → tentar recuperar → errar → corrigir → revisar → testar novamente → espaçar a prática.

É um processo menos confortável.

Mas justamente por isso ele revela muito mais sobre o que você realmente sabe.

Como saber se você está realmente preparado para a prova?

Chegar ao final do conteúdo não significa necessariamente estar preparado.

Uma preparação consistente envolve observar seu desempenho ao longo do processo.

Antes da prova, vale avaliar:

  • Consigo explicar os principais conceitos sem consultar o material?
  • Meu desempenho nas questões está evoluindo?
  • Sei quais são meus principais pontos fracos?
  • Consigo entender por que erro?
  • Já fiz simulados suficientes para conhecer meu ritmo?
  • Consigo resolver as questões dentro do tempo disponível?
  • Estou revisando meus erros e dificuldades?
  • Estou conseguindo recuperar o conteúdo sem depender da apostila?

Se a resposta for "não" para algumas dessas perguntas, não significa necessariamente que você não esteja preparado. Mas que encontrou o que precisa ser trabalhado antes da prova.

Aprovação não depende apenas de estudar mais

Uma certificação financeira exige conhecimento, mas a forma como você se prepara também importa.

Estudar apenas os assuntos fáceis, ignorar os próprios erros, deixar os simulados para o fim, concentrar todo o conteúdo na reta final e não prestar atenção aos enunciados são comportamentos que podem parecer pequenos.

Juntos, porém, podem fazer uma diferença importante no resultado.

Por isso, mais do que contar horas de estudo, procure transformar cada hora em uma oportunidade de evolução.

Estude. Resolva questões. Analise seus erros. Revise. Teste novamente.

E, principalmente, não confunda a sensação de estar estudando com a certeza de que está aprendendo.

Às vezes, o estudo que mais incomoda é justamente aquele que mostra onde você ainda precisa evoluir.

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A LS Educação atua na formação de profissionais para o mercado financeiro, com preparação para diferentes certificações e formações voltadas para diferentes etapas da carreira.

Se você está se preparando para uma prova, o objetivo não deve ser apenas chegar ao exame tendo visto todo o conteúdo.

O ideal é chegar sabendo o que você domina, onde ainda precisa melhorar e como aplicar o conhecimento quando a questão aparecer.

Perguntas frequentes

Estudar muitas horas por dia garante a aprovação em uma certificação?

Não. A quantidade de horas é apenas um dos fatores da preparação. A qualidade do estudo, a revisão, a resolução de questões, a prática distribuída e a identificação dos pontos fracos também são importantes.

Por que estudar apenas assuntos fáceis pode prejudicar a preparação?

Porque isso pode criar uma falsa sensação de domínio. Ao revisar repetidamente conteúdos conhecidos, você tende a ter mais facilidade e confiança, mas pode continuar com dificuldades nos assuntos que ainda não domina.

Fazer questões realmente ajuda a aprender?

Sim. A prática de testes pode contribuir para a retenção do conhecimento, além de permitir identificar pontos de dificuldade. Pesquisas sobre o chamado testing effect mostram que testar a própria memória pode produzir melhor retenção posterior do que simplesmente estudar novamente o mesmo material.

Quantas questões devo fazer por dia para me preparar?

Não existe uma quantidade universal. O mais importante é combinar volume de questões com análise dos erros. Fazer muitas questões sem entender por que você errou pode ser menos eficiente do que fazer uma quantidade menor e estudar os pontos de dificuldade.

Quando devo começar a fazer simulados?

Os simulados podem ser utilizados ao longo da preparação. No início, ajudam a identificar o nível de conhecimento e, conforme a prova se aproxima, permitem acompanhar a evolução e treinar o gerenciamento do tempo.

É melhor estudar teoria ou fazer questões?

Os dois são importantes, mas cumprem funções diferentes. A teoria ajuda a construir e organizar o conhecimento. As questões ajudam a recuperar esse conhecimento, identificar dificuldades e praticar a aplicação do conteúdo.

O que estudar na semana da prova?

Na reta final, o foco tende a ser mais eficiente quando está em revisão, resolução de questões, simulados e correção dos pontos fracos. Evite transformar os últimos dias em uma tentativa de aprender todo o conteúdo do zero.

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